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28 Novembro 2006  
MARIA EM ÉFESO

 

 

Maria em Éfeso

 

Em sua viagem atual à Turquia o Santo Padre irá visitar a chamada Colina de Maria, local onde se presume que Nossa Senhora vive os últimos anos de sua vida. Um sacerdote Católico, seguindo as orientações de Ana Catarina Emmerich localizou o local onde os habitantes da região, que ficava em torno de 20 Km antes de chegar a cidade, no caminho que vem de Jerusalém. Abaixo passamos a parte das visões que revelam o local.

 

Os últimos anos e a morte gloriosa de Maria Santíssima

 

Antes de passarmos a descrever a propagação do reino de Deus entre os gentios, pelos Apóstolos, juntamos aqui a narração da piedosa Emmerich sobre a maravilhosa e gloriosa morte da Mãe de Jesus. Assim seguimos também a cronologia, pois a Santíssima Virgem morreu antes dos Apóstolos e estes estiveram presentes por ocasião da sua morte.

 

1. Maria em Éfeso

 

Depois da ascensão do Filho querido, viveu Maria, segundo a narração de Catharina Emmerich, três anos em Jerusalém e depois outros três anos em Betânia, em casa de Lázaro. São João, que sempre a acompanhava, levou-a para Éfeso, afim de a salvar da perseguição e ali viveu ainda nove anos.

“Maria não morava propriamente em Éfeso, mas numa região onde já se tinham refugiado algumas das santas mulheres, suas amigas. A habitação de Maria achava-se numa colina, à esquerda do caminho de Jerusalém a Éfeso, cerca de três horas e meia de viagem, antes de chegar a Éfeso; a colina tinha uma subida suave, para o lado da cidade. Era uma região deserta, com muitas colinas férteis e belas, com grutas limpas, entre pequenas planícies arenosas; era deserta, mas não inabitável; havia muitas árvores isoladas, de troncos lisos e copas sombrias, em forma de pirâmide.

Quando João trouxe a Santíssima Virgem para uma casa que lá mandara construir, já ali moravam várias famílias cristãs e algumas das santas mulheres, seja em grutas dos montes ou em subterrâneos, tornados habitáveis com alguma construção de madeira, seja em frágeis tendas; só a casa de Maria era de pedra.

A Santíssima Virgem morava ali com uma jovem empregada. Viviam recolhidas em paz e sossego.

João não morava na mesma casa; passava a maior parte do tempo em Éfeso ou arredores; fez também várias viagens à Palestina. Dava-lhe sempre a Santa Comunhão, rezava com ela a Via Sacra, dava-lhe a bênção e recebia-lhe também a bênção materna.

No último tempo da estadia ali, vi Maria tornar-se cada vez mais recolhida no amor de Deus; quase não tomava mais alimento. Era como se só exteriormente estivesse na terra e com o espírito no outro mundo. Parecia não notar o que lhe acontecia em redor. Vi-a , nas últimas semanas antes da morte, já muito idosa e fraca e a criada a guiá-la às vezes pela casa.

Uma vez vi João entrar lá. Tirou o cinto e vestiu outro, que tirou sob o manto e que era ornado de letras. No braço pôs uma espécie de manípulo e no peito uma estola. A Santíssima Virgem veio saindo do quarto de dormir, revestida toda de uma veste branca, apoiando-se sobre o braço da criada. Tinha o rosto branco como a neve e como que transparente. A saudade parecia trazê-la como que suspensa entre o céu e a terra. Desde a ascensão de Jesus, todo o seu ser tinha a expressão de uma saudade infinita e sempre crescente, que parecia consumi-la. Dirigiu-se, com João, ao lugar de oração. Puxou uma fita ou correia; então se virou o tabernáculo na parede e a cruz que lá estava, apareceu. Depois de terem ambos rezado, ajoelhados, por algum tempo, levantou-se João e tirou do peito um vaso de metal; abriu-o de um lado, tirou de lá um invólucro de lã fina e deste, um lenço dobrado, de estofo branco, do qual retirou o Santíssimo Sacramento, em forma de um pedacinho de pão branco. Depois disse algumas palavras solenes e sérias e deu à Santíssima Virgem a Sagrada Comunhão.

Por trás da casa, até certa distância, na encosta da montanha, Maria Santíssima fizera para si uma Via Sacra. Enquanto morava em Jerusalém nunca deixara, desde a morte do Senhor, de percorrer-lhe o caminho da Paixão, chorando de saudade e compaixão. De todos os lugares do caminho onde Jesus sofrera, ela tinha medido a distância a passos: o amor imenso de Mãe extremosa não lhe podia viver sem a contínua contemplação desse caminho doloroso.

Pouco tempo depois de chegar àquela região, eu a via diariamente caminhar até certa distância, subindo a colina atrás da casa, nessa meditação da Paixão e morte do Filho amado. A princípio ia sozinha, medindo pelo número de passos que tantas vezes contara, as distâncias dos lugares onde Jesus sofrera certos tormentos. Em todos esses lugares erigia uma pedra ou, se havia ali uma árvore, marcava-a. O caminho conduzia a um bosque onde, numa elevação, marcou o Monte calvário e numa gruta de outra colina, o sepulcro de Jesus Cristo.

Depois de ter medido desse modo as doze estações da Via Sacra, percorria-a, em silenciosa meditação, acompanhada da criada; em cada estação da Paixão se sentavam, recordando no coração o mistério do respectivo sofrimento e louvando ao Senhor por seu Infinito amor, com lágrimas de compaixão. Depois arranjaram as estações ainda melhor e vi que a Santíssima Virgem escrevia com um buril, na pedra assinalada, a significação do lugar, o número dos passos, etc. Vi também, depois da morte da Santíssima Virgem, os cristãos percorrerem esse caminho, prostrando-se por terra e beijando o chão.”

 

2. Viagens de Maria a Jerusalém

 

“Depois do terceiro ano da estadia em Éfeso, Maria sentiu profundo e veemente desejo de ir a Jerusalém. João e Pedro levaram-na, pois. Se bem me lembro, estavam ali reunidos vários Apóstolos; vi Tomé; creio que era um Concílio e Maria assistiu-lhes com os conselhos maternais.

No dia da chegada, ao cair da noite, antes de entrar na cidade, eu a vi visitar o Monte das Oliveiras, o Calvário, o santo Sepulcro e outros lugares sagrados, em redor de Jerusalém. A Mãe de Deus estava tão triste e tão comovida pela paixão, que só com extremo esforço podia ficar em pé e Pedro e João levaram-na dali, segurando-a pelos braços.

Ela viajou mais uma vez de Éfeso a Jerusalém, ano e meio antes da morte. Vi-a então visitar também de noite os santos lugares, acompanhada pelos Apóstolos. Estava indizivelmente triste e gemia apenas, exclamando “Ó, meu Filho, meu Filho! Quando chegou à porta posterior, daquele palácio, onde se encontrara com Jesus caindo sob a cruz, tombou por terra, desmaiada, comovida pela lembrança; os companheiros julgavam que morresse.

Levaram-na ao Cenáculo, em Sião, onde morava. Ali esteve a Santíssima Virgem, durante alguns dias, tão fraca e doente e teve tantos desmaios, que várias vezes lhe esperaram a morte e já pensavam em preparar-lhe o sepulcro. Ela mesma escolheu para este fim uma gruta no Monte das Oliveiras e os Apóstolos mandaram um escultor cristão fazer ali um belo sepulcro.

Entretanto o povo espalhava várias vezes falsas notícias da morte de Maria SS. e esse boato de ter morrido e sido sepultada em Jerusalém propagou-se também em outros lugares. Mas quando o sepulcro ficou pronto, ela já se restabelecera e tinha força bastante para voltar para casa em Éfeso, onde, após ano e meio, faleceu realmente. O sepulcro preparado no Monte das Oliveiras foi sempre venerado e guardado, construindo-se depois sobre ele uma Igreja e João Damasceno escreveu também, baseado nesse boato, que Maria morreu em Jerusalém e ali foi sepultada.

Deus permitiu que as notícias da morte, sepultura e assunção ao céu da Virgem SS. se conservassem apenas numa incerta tradição, para não alimentar no cristianismo o sentimento pagão daqueles tempos; pois muitos talvez a tivessem adorado como deusa.”

 

3. Reunião dos Apóstolos, por ocasião da morte de Maria, em Éfeso

 

Algum tempo antes da morte, rezou a SS. Virgem, para que nela se cumprisse o que Jesus lhe prometera no dia antes da ascensão, em casa de Lázaro, em Betânia. Foi-me mostrado em espírito, que quando ela lhe suplicou que depois da ascensão não a deixasse muito tempo neste vale de lágrimas, Jesus lhe disse vagamente quais as obras espirituais que ela devia ainda fazer na terra até a morte e, atendendo-lhe à súplica, prometeu-lhe que os Apóstolos e vários discípulos lhe assistiriam a morte; recomendou-lhe o que lhes devia então dizer e como os devia abençoar.

Quando a SS. Virgem implorou que os Apóstolos se reunissem em torno dela, vi, em regiões muito diferentes e opostas, chegar o chamado aos Apóstolos; neste momento só me lembro do seguinte:

Os Apóstolos já tinham construído pequenas Igrejas, em vários lugares, onde tinham pregado; embora algumas dessas Igrejas não fossem construídas de pedra, mas apenas de vime trançado e rebocadas de barro, todavia tinham sempre, todas que tenho visto, na parte posterior, a forma circular ou triangular, como a casa de Maria em Éfeso. Nessas Igrejas tinham altares e celebravam o santo sacrifício da Missa.

Vi que todos foram chamados, Inclusive os que estavam nas terras mais longínquas, recebendo por aparições a ordem de ir ver a SS. Virgem. Em geral não foi sem milagroso auxílio que os Apóstolos fizeram as longuíssimas viagens. Creio que freqüentemente faziam as viagens de uma maneira sobrenatural, sem eles mesmos saberem; pois muitas vezes os tenho visto passar no meio de grandes multidões de homens, sem serem vistos.

Quando o chamado do Senhor se, fez ouvir aos Apóstolos, para irem a Éfeso, Pedro e se bem me lembro, também Matias, se achavam na região de Antioquia. André, que vinha de Jerusalém, onde fora perseguido, não se achava longe. Judas Tadeu e Simão estavam na Pérsia. Tomé encontrava-se na Índia, quando recebeu a ordem de partir; mas já resolvera ir à Tartária, mais para o norte e não pode decidir-se a abandonar esse projeto. Assim continuou o caminho para o norte, atravessando parte da China, até chegar à região onde agora é a Rússia; ali foi chamado pela segunda vez e partiu então às pressas para Éfeso. João estava mesmo na vizinhança de Éfeso; Bartolomeu a leste do Mar Vermelho, na Ásia. Paulo foi chamado. Foram chamados apenas os que eram parentes ou amigos da Sagrada Família.

 

4. Os últimos dias de vida de Maria

 

“Eu tinha muita convivência com a Mãe de Deus em Éfeso, conta Catharina Emmerich, a 7 de Agosto de 1821. Fui com ela e cerca de cinco outras santas mulheres, percorrer a Via Sacra. Estava lá também a sobrinha da profetiza Ana e a viúva Mara, sobrinha de Santa Isabel. A SS. Virgem ia à frente de todas. Vi-a já muito idosa, mas não tinha outro sinal de velhice na aparência, senão o da intensa saudade, que a levava à união com o Filho, à glorificação.(22)

Maria era indizivelmente séria; nunca a vi rir, mas apenas sorrir de modo tocante. Estava emagrecida, mas não lhe vi rugas, nem sinal algum de velhice. Estava como que espiritualizada. Parecia ser a última vez que fazia a Via Sacra. Enquanto assim caminhava, parecia-me que João, Pedro e Tadeu já tinham chegado.

Vi (a 9 de Agosto) Maria deitada num leito estreito e baixo coberto por um dossel, em forma de tenda, do qual pendiam brancas cortinas, à direita do quarto, atrás do fogão. A cabeça repousava-lhe sobre uma almofada redonda. Estava muito fraca e pálida e como abrasada de saudade. A cabeça e todo o corpo lhe estava envolto num longo pano. Um cobertor de lã parda cobria-a.

Vi umas cinco mulheres, uma depois da outra, entrarem e saírem do quarto; pareciam despedir-se da moribunda. As que saiam, faziam com as mãos gestos de comovedora tristeza ou de oração. Vi novamente entre elas a sobrinha de Isabel, que tinha visto durante a Via Sacra.

Depois vi seis Apóstolos já reunidos na sua casa, Pedro, André, João, Tadeu, Bartolomeu e Matias, como também um dos sete diáconos, Nicanor, que era sempre tão serviçal e amável. Os Apóstolos estavam reunidos em oração na parte anterior da casa, à direita, onde tinham preparado um oratório.

Hoje (a 10 de Agosto) vi entrar ainda dois Apóstolos, com as vestes arregaçadas, como viajantes, Tiago o Menor e Mateus.

Os Apóstolos celebraram ontem, à noite e hoje de manhã o ofício divino, na parte anterior da casa. Diante do altar havia uma estante coberta, da qual pendia um rolo da Escritura. Sobre o altar havia candeeiros acesos e na mesa um vaso em forma de cruz, feito de uma substância que brilhava como madrepérola. Tinha apenas um palmo de altura e outro tanto de largura e continha cinco vasos fechados, com tampa de prata. No do meio se achava o SS. Sacramento. Nos outros, porém, crisma, óleo, sal e fibras (talvez algodão) e outras coisas santas. Os vasos foram feitos e estavam fechados de tal maneira, que não se podia derramar nada. Os Apóstolos costumavam transportar essa cruz nas viagens, pendente sobre o peito, debaixo do manto. Assim eram mais do que o Sumo Sacerdote, quando trazia sobre o peito o Santo do Antigo Testamento.

Pedro, revestido do ornato sacerdotal, estava diante do altar, os outros atrás, em coro. As mulheres assistiam em pé, no fundo da casa.

Vi chegar um novo Apóstolo (a 11 de Agosto) foi Simão. Ainda faltavam Felipe e Tomé.

Houve novamente ofício divino. Depois deu Pedro à SS. Virgem a Sagrada Comunhão. Levou-lha naquele vaso em forma de cruz. Os Apóstolos formaram duas fileiras, do altar até ao leito, inclinando-se profundamente, quando Pedro passou por entre eles com o SS. Sacramento. As cortinas do leito da SS. Virgem foram abertas de todos os lados.

Diante do leito de Maria havia um banquinho baixo, triangular e sobre este, um pratinho, com uma colherzinha parda e transparente.

Vi novamente (a 12 de Agosto) o divino ofício; foi celebrada a Missa. O quartinho de Maria estava todo aberto. Uma mulher estava ajoelhada ao lado do leito, levantando e amparando de vez em quando a Santíssima Virgem. Vi fazê-lo também durante o dia e oferecer-lhe uma colher de suco de fruta do pratinho. Maria tinha um crucifixo sobre o leito, em forma de Y, tendo quase meio braço de comprimento; ela recebeu o SS. Sacramento.

Vi hoje (a 13 de Agosto) o ofício divino, como de costume e a Santíssima Virgem, durante o dia, sentada no leito, tomando várias vezes algum alimento, com a colherzinha.

Vi os Apóstolos chegarem na maior parte muito fatigados. Ao entrar, abraçavam os que já estavam presentes, muito comovidos; alguns choraram de alegria e também de tristeza, pelo motivo tão doloroso daquele encontro. Aproximavam-se do leito de Maria, saudando-a respeitosamente; ela, porém, só poucas palavras lhes podia dizer.

Vi também cinco discípulos e lembro-me mais vivamente de Simão, o Justo e de Barnabé.

 

Fonte: Recados do Aarão

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